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Concepção de projeto residencial com croquis digitais

Imagem 1 - Perspectiva de apresentação

Em 2014 projetei a residência apresentada nesta postagem (Imagem 1). Não consigo assumir muitos compromissos com projetos uma vez que minhas atividades na Universidade de Fortaleza consomem a maior parte do meu tempo, mas, uma vez que aceito uma encomenda, costumo usar o projeto para testar algumas investigações dos meus estudos acadêmicos. Neste caso em particular resolvi fazer a seguinte experiência: produzir todos os desenhos de concepção, que tradicionalmente são feitos em meio analógico, em meio digital.

Imagem 2 - Croquis de concepção

Imagem 3 - Croquis de concepção

Nesta época eu já usava um iPad 4, mas ele não era meu principal instrumento de desenho. Não havia muitos aplicativos gráficos disponíveis e a própria configuração do hardware não era muito adequada para as demandas de desenho digital. Também não havia grande disponibilidade de canetas como acontece hoje. Sendo assim, meus principais instrumentos de representação digital eram um Macbook Pro, uma tablet opaca da Wacom e o aplicativo Sketchbook Pro cuja licença, na época, custava cerca de R$ 80,00. Hoje este aplicativo é gratuito.

Até então eu nunca havia tentado fazer croquis de concepção de projeto usando estes equipamentos. Tive que fazer algumas adaptações. Para o correto dimensionamento, por exemplo, usei escalas gráficas inseridas na base e na lateral dos desenhos como vocês podem ver nas Imagens 2 e 3. Notem que tentei manter os mesmos procedimentos gráficos que eu costumava aplicar em meio analógico. Percebam, por exemplo, o traço livre e sem definição de detalhes. Vale registrar que este padrão gráfico seria compatível com os desenhos feitos na escala 1:200 em papel tamanho A4. Foram feitos aproximadamente 15 croquis semelhantes a estes até que cheguei a primeira proposta para apresentação ao cliente.

Imagem 4 - Plantas de apresentação

Para os desenhos de apresentação prepararei as plantas dos dois pavimentos da residência (Imagem 4) e uma perspectiva (Imagem 5) usando os mesmos instrumentos e software já citados. Notem que usei um padrão gráfico similar ao do uso de canetas nanquim e marcadores embora ciente de que o resultado nunca será, e nem acho que deva ser, igual ao dos instrumentos analógicos. O desenho e a pintura digitais, na minha opinião, tem linguagem e técnicas próprias. O resultado gráfico conseguido pode até usar as mídias tradicionais como referência, mas considero totalmente desnecessária tentar simular com perfeição o mundo analógico.

Também queria deixar claro que este tipo de representação mostrada aqui é uma preferência minha e um padrão com o qual me identifico mais. Não a considero melhor nem pior que os desenhos digitais com acabamentos realistas. Acredito que cada um deve buscar seu "partido gráfico" e associa-lo ao conjunto de identidade visual do seu escritório. Esta pode ser uma das estratégias de diferenciação de qualquer profissional desta área.
Imagem 5 - Perspectiva artística

Após a primeira apresentação, o cliente fez alterações no programa de necessidades e foi definido um outro tratamento para as fachadas baseado em referências trazidas por ele. Vejam nas Imagens 6 e 7 que o projeto teve que voltar a fase de croquis para atender às novas demandas. Nesta fase os desenhos CAD (produzidos no Draftsight) já entraram como base para dimensionamento de áreas totais, índices de ocupação e quantitativos gerais. Os croquis mostrados a seguir mostram alguns dos estudos de lançamento de estrutura e propostas de soluções de telhados.

Imagem 6 - Croquis de concepção

Imagem 7 - Croquis de concepção

Em paralelo à definição das novas demandas resolvi experimentar o iPad para fazer os estudos de cortes, fachadas e layout básico (Imagens 8 e 9). Para isso usei o aplicativo Procreate que, apesar de ser muito poderoso e de ser meu preferido, não tem ferramentas específicas para o trabalho do arquiteto. Sendo assim, tive que usar uma malha em escala em cima da qual foi possível produzir os desenhos mostrados nas Imagens 8 e 9.


Imagem 8 - Estudos de cortes e fachadas

Imagem 9 - Estudo de layout básico

Após este teste passei a utilizar o iPad com um pouco mais de frequência. As perspectivas mostradas nas Imagens 10 e 11, por exemplo, foram desenhadas no Macbook Pro com o Sketchbook Pro e pintadas no iPad com o Procreate. Fiz pelo menos seis perspectivas diferentes até que a residência foi se alinhando com as necessidades e expectativas do cliente. A proposta final e a foto da obra pronta podem ser vistos no final da postagem (Imagens 11 e 12).

É importante registrar que hoje existem diversas opções de aplicativos disponíveis para iPad que são especificamente voltados para o trabalho de arquitetos e com preços extremamente acessíveis. O meu preferido continua sendo o Procreate uma vez que produzo muitas ilustrações arquitetônicas (principalmente perspectivas), mas também fazem parte do meu dia a dia de trabalho (como professor e arquiteto) o Morpholio Trace e o Autodesk FormIt. 

Desenhar, tanto em mídias analógicas quanto digitais, requer estudo e treinamento. Eu mudei muito a maneira de usar estes equipamentos e aplicativos desde esta época assim como eles também mudaram. Hoje quase não utilizo a tablet da Wacom e os programas do meu Macbook Pro. Meu principal instrumento de desenho passou a ser um iPad pro de 10,5" em conjunto com a Apple Pencil e os aplicativos supracitados. Posso afirmar com segurança que hoje este conjunto supre praticamente todas as minhas necessidades gráficas, mas devo alertar que isso se deve ao modo como meu trabalho foi configurado ao longo de todo este tempo. As disciplinas que leciono na UNIFOR e a maneira como direcionei minha rotina de trabalho como arquiteto e ilustrador foram determinantes para isso. 

Vocês podem conferir mais postagens sobre este assunto clicando aqui. Até a próxima!

Imagem 10 - Perspectivas artísticas

Imagem 11 - Perspectivas artísticas - versão final aprovada pelo cliente

Imagem 12 - Aspecto final da residência








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