Desenho de um ambiente interno com iPad - Parte 1


Depois de uma longa pausa durante a qual me dediquei à minha dissertação de mestrado, estou de volta com mais uma postagem. Dessa vez comentarei sobre o presente que ganhei de minha esposa: uma caneta para iPad de alta precisão. Esse tipo de caneta tem como principal característica o uso do Bluetooth como recurso de comunicação com o tablet o que, entre outras coisas, permite que a ponta da caneta seja bastante fina e tenha sensibilidade à pressão. O desenho mostrado no final da postagem mostra um ambiente interno fictício. Ele foi produzido usando exclusivamente os recursos de um iPad 4ª Geração e de seus aplicativos além da própria caneta. O processo completo pode ser visto, em um vídeo time-lapse clicando aqui.

Tudo começou no aplicativo Adobe Illustrator Line, especializado em desenho à mão livre e instrumentado. Isso mesmo, esse pequeno e poderoso programa possui ferramentas que simulam réguas, gabaritos e curvas francesas. Entre os seus recursos de precisão existe um que permite visualizar e manipular uma malha em perspectiva de dois pontos de fuga como mostrado na Figura 1. Apesar de ser um programa muito bom para o desenho à mão livre, suas ferramentas ainda não se comparam as do Procreate, aplicativo que usei para desenhar todo o ambiente (vejam outras postagens sobre esse programa clicando aqui).

Figura 1 - Malha em perspectiva do Adobe Illustrator Line em processo de edição

Dessa forma, usei o Adobe Line somente para capturar a imagem da malha em perspectiva e depois a levei para uma camada no Procreate. Tomando essa malha como base fui confeccionando o desenho usando inicialmente duas figuras humanas como ponto de partida e referência de escala, mas também usando bastante a intuição. A caneta se comportou como esperado apesar da estranha sensação de estar riscando uma tela de vidro. Como o prezado leitor sabe, já venho desenhando no iPad há bastante tempo, mas sempre com canetinhas de ponta de borracha. Apesar disso, não demorou muito para me acostumar com a nova sensação tátil e assim aproveitar todos os recursos da stylus.

A precisão é muito boa pois a ponta tem a espessura aproximada de um lápis 6B. Observei um pequeno atraso de retorno entre o risco e o resultado na tela, mas não foi nada que atrapalhasse o processo. Acredito que no iPad Air, cujo processador é mais poderoso, esse atraso não ocorra. Para aumentar a eficiência você tem que desenhar, preferencialmente, com a ponta na posição perpendicular à tela, mas também observei alguma exatidão mesmo com a caneta inclinada.

Os níveis de pressão foram muito eficientes tanto em relação à espessura quanto ao peso do traço. Esse tipo de interação deve ser configurado nos parâmetros da ferramenta (lápis, marcador, aerógrafo, giz, etc) que você pretende usar no desenho. No meu caso usei a ferramenta lápis com as configurações mostradas na Figura 2. Como pode ser observado fiz os ajustes para que o traço ficasse mais espesso e mais pesado com o aumento da pressão.

Bom, fico por aqui em minha breve análise. De uma forma geral fiquei muito satisfeito com a caneta e recomendo a todos os artistas que costumam usar o iPad que procurem entre as marcas disponíveis no mercado (Wacom, Adonit ou Adobe) a que mais se adequa ao seu bolso e sua rotina de trabalho.

Figura 2 - Interface do Procreate e configuração da ferramenta lápis
Figura 3 - Resultado final do desenho