O futuro do desenho estaria nos tablets?


Para mim o futuro dos computadores são os tablets. Não quero fazer nenhum tipo de exercício de "futurologia", promover produtos e nem proclamar o fim de alguma mídia, mas me arrisco a dizer que um dia todos os computadores terão funcionalidades de tablets e vice-versa.

Vejo isso com muito otimismo pois na nossa área a capacidade de usar as habilidades manuais mescladas ao uso de ferramentas computacionais traz infinitas possibilidades. Isso particularmente me interessa bastante pois parece haver um resgate dessas habilidades manuais quando testemunhamos o próprio mercado de tablets oferecer uma enorme quantidade de acessórios e aplicativos que estimulam a escrita e o desenho à mão livre. Hoje, por exemplo, você pode adquirir com certa facilidade, uma stylus (canetas para tablets) com capacidade de ter sensibilidade à pressão que proporcionará experiências de desenho e escrita similares às conseguidas em meio analógico.

Esses equipamentos que exploram os gestos manuais, em alta hoje em dia, não são exatamente novidade. As tablets e acessórios da Wacom, uma das maiores fabricantes mundiais de dispositivos de desenho digital, existem há muito mais tempo que, por exemplo, o iPad. O problema é que os preços desses equipamentos sempre foram um tanto inacessíveis, além de alguns deles serem destinados a públicos específicos e dependerem de um computador. Um exemplo disso são as mesas gráficas da linha Intuos. Seu nível de precisão e naturalidade do traço são excelentes, mas seu preço é bastante elevado.

Esse cenário vem mudando. Tenho acompanhado, já há algum tempo, os novos produtos da Wacom e fica fácil perceber como essa empresa, que para mim tem algumas das melhores tecnologias de desenho à mão livre digital, está investindo em novas opções para atrair o consumidor mais doméstico. Além dele, tradicionais empresas como a Microsoft também tem investido pesado em produtos com esse tipo de versatilidade. O novo Surface da Microsoft, que foi muito bem recebido pelo mercado, é um ótimo exemplo de inovação dentro dessa linha de produtos. 

Particularmente, eu utilizo mesas gráficas desde 2001 quando, insatisfeito com o desenho via mouse, comprei minha primeira mesa de desenho eletrônico cujo objetivo inicialmente era pintar os desenhos de meus projetos. Desde essa época, quando o assunto é desenhar no computador, não preciso mais do mouse (e nem quero usar). Hoje uso uma Wacom Bamboo Create tamanho médio com um MacBook Pro. Minhas atividades com esses equipamentos (veja as imagens abaixo) são bem diversas assim como os tipos de software que utilizo. Quando o objetivo é desenhar à mão livre, talvez a principal vocação dos produtos da Wacom, o Sketchbook Pro da Autodesk é meu programa preferido (vejam postagens sobre esse assunto), mas também costumo usar a tablet com programas que tradicionalmente precisariam do mouse como, por exemplo, o Sketchup, Draftsight, Photoshop e Gimp. As características dessa mesa já foram discutidas em outra postagem que você pode ver clicando aqui.

No iPad, como já comentado em diversas postagens, costumo usar o aplicativo Procreate. É claro que as condições e características são outras e o ponto forte com certeza é a portabilidade, mas às vezes sinto falta de alguns recursos de um computador. Posso afirmar que o dispositivo da Apple, para mim, virou uma caderneta de desenho eletrônica com todas as vantagens do mundo digital, ou seja, toda a coleção de canetas, lápis, tintas e etc, estão à disposição.

Exemplos de desenhos feitos com iPad
Gostaria de deixar claro que não acredito que essas tecnologias decretarão o fim das mídias analógicas. Elas tem papel fundamental na formação dos profissionais das áreas de criação (arquitetos, designers, etc) e continuarão vivas. Esses discursos que valorizam novas tecnologias pregando o aniquilamento de outros recursos e técnicas me parece ingênuo e carregado de tolices. Para mim, todos podem conviver e se complementar. 

Como comentado antes, eu realmente acredito nessa convergência entre as telas sensíveis ao toque e os computadores tradicionais e tenho plena convicção que meu próximo computador será desse tipo. Volto a frisar que, na área de criação, isso trará inúmeras possibilidades uma vez que a saudável volta das ações espontâneas do desenho, da escrita, da colagem e da pintura encontrarão novas possibilidades e alcançarão novos patamares contando para isso com a ajuda dos recursos computacionais. 

Para finalizar deixo a seguinte pergunta: será que finalmente o processo criativo poderá  não mais depender somente do mouse, das interfaces baseadas em caixas de diálogo, menus em cascata e popups? Eu sinceramente espero que sim. 

Exemplo de desenhos feitos no Macbook com a Wacom Bamboo Create