Dicas para desenhar com iPad


Oi pessoal! Voltamos com mais uma postagem sobre desenho à mão livre em mídias digitais. Dessa vez mostraremos com mais detalhes o processo de desenho de um croqui que fiz para testar as possibilidades do uso de um tablet desde os riscos iniciais até o acabamento final. As imagens abaixo ilustram as etapas que segui e as camadas que usei durante o processo. Venho testando esse tipo de recurso já faz um certo tempo e tenho tirado algumas conclusões que acredito serem importantes. São elas:

1. Não adianta querer que as mídias digitais reproduzam exatamente o que fazemos no papel. Percebam que o traço inicial mostrado na imagem abaixo é bem parecido com o do mundo real, mas tem suas características próprias. Nesse desenho usei um iPad 4 com o aplicativo Sketchbook Pro da Autodesk. O tablet tem um processador poderoso o suficiente para não "engasgar o traço", ou seja, a linha aparece na tela na medida exata em que vamos riscando. Recomendo o uso da caneta Wacom que, entre as stylus de ponta de borracha, é a que possui o menor raio. Também não adianta querer ter a mesma precisão de um lápis embora já existam canetas (stylus) mais adaptadas ao desenho com, por exemplo, as da empresa Adonit. Temos que nos adaptar ao tamanho da ponta e usar os recursos de ajuste do programa. Usei um lápis virtual 2B com um tom médio de cinza e opacidade em 75%.



2. Use camadas. No iPad 4 já podemos usar 4 camadas em arquivos de 1800x2400 pixels que é uma ótima resolução para desenhos. Dá para imprimir até em tamanho A3. O desenho final ficou com sólidos 1,4 MB de memória. Vocês verão as camadas usadas nas imagens seguintes. Depois do desenho inicial que fica na camada mais baixa, criei mais uma na qual fiz o desenho simulando uma caneta preta bem fina. Mais uma vez temos que usar o que o equipamento e o software nos proporcionam. Tentei deixar o traço o mais solto possível, mas nem sempre o resultado fica bom.


3. Se você usar arquivos com alta resolução acabará tendo a limitação de poder usar somente quatro camadas. Dessa forma seja objetivo. Veja na imagem abaixo que usei duas para o desenho linear sendo a primeira e mais baixa a do croqui esquemático e a mais alta a do desenho final à "caneta".

4. Minha sugestão é usar duas camada para a pintura sendo a primeira, mais baixa, para a pintura base. Nessa camada você aplicará todas as cores básicas dos objetos. A dica aqui é usar o Blend Mode Multiply (vejam acima) nas camadas de cores. Ele vai dar a leve sensação da sobreposição da tinta conseguida com canetas tipo marcador. Vejam na imagem abaixo a pintura base.


5. A última camada é a das sombras. Elas podem ser aplicadas diretamente na camada da pintura, mas essa separação te dá mais controle do processo. Como já comentado, não adianta querer copiar o que se faz no mundo real. Nele, uma sombra mal aplicada poderia arruinar o desenho. Nessas duas etapas comecei a notar que o processador começou a sentir o peso do desenho. A pintura demorava um pouco para processar, mas mesmo assim foi rápido o suficiente.

Bom, é isso. Não pretendo fazer dessa postagem um passo a passo. São muitas variáveis durante o processo. O desenho deve ter requerido umas 2 horas desde o risco inicial até o acabamento final. Espero que tenham gostado das dicas e convido todos a experimentarem.