Dicas para desenhar


Nessa postagem vou tentar, de maneira bem rápida e objetiva, dar algumas dicas de materiais e procedimentos para fazer desenhos de locação, ou seja, aqueles croquis rápidos que fazemos no meio da rua, em um restaurante, bar ou até mesmo dentro de casa.

A base para esse tipo de prática é a do desenho de observação, ou seja, representar em meio bidimensional, normalmente em papel, o que é percebido na realidade tridimensional. É claro que os conhecimentos técnicos sobre desenho terão enorme influência no resultado, mas notem que a palavra "percebido" carrega um significado enorme uma vez que é justamente essa percepção que fará a diferença.

Vale lembrar e reforçar que desenhar é muito mais saber observar do que ter habilidades manuais. Se imaginássemos que duas pessoas pudessem ter o mesmo grau de conhecimento e de habilidades gráficas elas produziriam desenhos diferentes de uma mesma cena. O que vemos é bem diferente do que percebemos pois, na segunda ação, entram vários fatores de nossa formação biológica e pessoal. Bom! Nada melhor do que desenhos para ilustrar esse parágrafo. Entrem no site do Urban Sketchers e vejam a diversidade de técnicas e de níveis de percepção. Você poderá se espantar com a sofisticação de alguns desenhos e com o aspecto infantil de outros, mas isso não importa, o mais importante é notar como cada um capturou aquilo que viu e como decodificou em uma representação gráfica. Minha primeira dica então é que vejam o site e percam a vergonha de desenhar! :)

Ok, agora vamos para dicas mais práticas. A foto inicial da postagem mostra o conjunto básico de materiais que uso quando saio para desenhar em campo. Normalmente uso cadernetas pequenas que são mais práticas e portáteis permitindo seu uso em situações bem diversas que vão de mesas de restaurante à praias. Atualmente estou usando uma Moleskine 13x21 cm, mas também já usei cadernos maiores. Um dos mais fáceis de achar é o sketchbook Académie da Tilibra que pode ser encontrado nos formatos aproximados do A4 e do A3. São bem acessíveis financeiramente, suas folhas tem uma leve textura e são destacáveis. Outro muito bom é o sketchbook da Canson 22x28,5 cm. Não preciso convencer ninguém sobre a qualidade das folhas da Canson. O caderno é muito elegante com capa dura e, apesar do tamanho, tem boa portabilidade.

A Moleskine é vendida em vários formatos. Também já usei um formato bem pequeno 9x14 cm que recomendo para os que gostam de fazer "plantão", ou seja, gostam de ter sempre a mão uma caderneta para fazer estudos rápidos. A imagem abaixo mostra o caderno da Tilibra A3 e a pequena Moleskine.



Agora vamos falar um pouco sobre os instrumentos. Não tem segredo. Sempre recomendo que o desenhista use aquilo que o deixe mais confortável. Embora saiba que o lápis tem muito mais qualidade gráfica e maior riqueza de recursos, no caso dos desenhos de campo, prefiro usar lapiseiras. Elas são mais práticas para manusear, não dependem de apontador e, uma vez que meu assunto principal é arquitetura, permitem um maior refino nos detalhes. Normalmente levo somente uma Pentel 0.5 com grafite B para o desenho base e linhas e uma Pentel 0.9 com grafite 2B para sombras e traços que julgo precisarem de maior peso. Também costumo usar uma lapiseira Caran D'ache com grafite 2.4 2B para as sombras mais leves.

Recomendo também o uso de uma borracha moldável. Essa é, sem dúvida, a melhor borracha para grafite. Não marca o papel e é bem macia, mas cuidado pois em alguns modelos a borracha vai ficando grudenta com o tempo. Recomendo a marca Cretacolor.

O uso de canetas é muito comum nos croquis de arquitetura, mas traz um problema que me fez abandonar um pouco essa técnica. Você gasta mais tempo pois normalmente haverá uma base de lápis/lapiseira para depois vir o traço com caneta e quando se trata de desenho de campo isso é um fator importante. Mas também não tenho dúvidas quanto a riqueza gráfica que as canetas proporcionam principalmente se você consegue explorar o traço e as suas espessuras para gerar sombras e texturas. Quando faço opção por essa técnica uso a Caran D'ache como base e três canetinhas descartáveis. Normalmente a 0.2, 0.4 e 0.8, mas isso varia muito com cada desenho e situação. Por exemplo, não é raro que eu use uma caneta 0.05 para acrescentar, em casa, detalhes após o desenho feito em campo. Outra dica boa é a caneta de ponta dupla como a Tombo mostrada na foto. A ponta em forma de pincel é ótima para sombras rápidas. É isso, espero que as dicas sejam úteis e espero poder conhecer os processos de vocês nas respostas a essa postagem.